Não mude quem você é! A não ser que seja pra melhor.

A frase no título desse texto foi um dos melhores conselhos que já recebi. Eu tenho alguns defeitos. É verdade. Na minha contagem chegam a 6, mas com certeza os outros devem achar muito mais. Esse conselho do título chegou em um momento crucial da minha vida. Eu estava questionando muitas coisas. Como deveria me comportar? Como deveria avaliar as situações? Eu tenho o poder de errar? Eu tenho o poder de julgar? Se eu vejo algo errado, eu devo corrigir? Para algumas coisas eu tinha respostas que já estavam enraizadas na minha pele. Mas alguns eu ainda ficava na dúvida. Esse conselho me fez sentir que eu já sabia como deveria me portar. Lá dentro eu já sabia.

Com as redes sociais a gente trouxe a "fofoca" de rua para que todo mundo pudesse ver. Com isso vem aquilo que sempre acontece com a "fofoca": o julgamento. Fez algo que alguém acha errado? Pior pessoa do mundo. Fez algo que agradou alguém? Tu é o cara. Conversas se tornaram rasas e mera confirmação de opinião. Algumas pessoas sabem lidar com isso. Já outras levam críticas bastante a sério. Imagine alguém que nunca foi homofóbico e inclusive sempre defendeu todas as pautas da causa ser pego em um comentário que "acidentalmente" pode soar homofóbico. Apesar de todas as suas certezas, ser pego nessa situação pode abalar toda a sua convicção do que ele realmente acha que é o certo. Questionará a si mesmo. Questionará se fez algo de errado. Questionará se magoou alguém. Questionara se seu comentário teve um impacto inclusive fatal. No sentido exato da palavra. As redes sociais trouxeram o tribunal para cada situação do dia-a-dia. Apesar do fato de que a maior parte das pessoas que interagimos nunca irá de fato nos encontrar na "vida real", nós não tornamos tais opiniões menos irrelevantes. O que mais pude observar foram comentários do tipo:

"O bom da pandemia é que estou conseguindo calibrar melhor minhas amizades."

O bom da pandemia? Serio? Olha eu sendo o juiz agora. :)

"Tem uns amigos que com certeza não verei mais quando tudo isso acabar."

Na maior parte das vezes são só palavras vazias que servem somente para mostrar a qual causa ou segmento de ideologia cada um segue… naquele momento. Como já dizia o filósofo Zizek:

The threat today is not passivity, but pseudo-activity, the urge to “be active”, to “participate”, to mask the Nothingness of what goes on.

Redes sociais potencializaram o pseudo-ativista. Pessoas que esqueceram que para realizar algo de fato é necessário, ainda, seguir os métodos antigos. Mas voltando ao ponto. Não tenham medo deste julgamento. Se precisarem mudar, mudem pra melhor. Escutem. Leiam. Observem. Peçam desculpas. Agradeçam. Não sei qual é o problema da maioria das pessoas que elas não gostam de pedir desculpas ou admitirem quando estão erradas. Na verdade até sei. Ou tenho um palpite: Escola. Errar é ruim. Escola deveria estimular o questionamento, estimular a pesquisa, estimular o "pensar", e não simplesmente condenar o erro. Acredito que seja essa a causa, mas posso estar errado. (Olha ai ;))

Enfim, não mudem por capricho dos outros. Mudem por críticas construtivas. Mudem por motivação. Mudem por convicção. Mudem porque e por quem vocês acreditam. E levem isso para os outros.

Enfim, esse é o pensamento aleatório da semana.